Oi. Tudo bom? Deixa eu me apresentar.


Faço parte da imensa população dos quase-gordinhos querendo ficar menos gordinhos. Graças a pesquisas exaustivas cheguei em uma dieta perfeita. Revolucionário por assim dizer. Pesquisas nem tanto cientificas nem tanto culinárias. Algo do dia a dia, mesmo. Prática. Talvez não tão prática, porém eficiente.


Assim como… usar a palavra “como” me dá vontade de comer. Enfim, da mesma forma como (opa!) grandes descobertas da humanidade, foi mais ou menos sem querer que encontrei uma luz no universo das milagrosas receitasmilagrosas. Para falar a verdade, nunca tentei nenhuma delas, por isto não espero que você tente também. Sempre fui adepto do papo “exercício, alimentação e sacrifício”. Infelizmente, existe um abismo gigantesco entre o que se pensa e o que se faz. Especialmente quando o assunto são guloseimas e exercícios matinais. Exatamente! Esse seu sorriso te entrega. Você sabe do que estou falando!


Sábados. Sábados, além de banho, é dia de feira. Fazer mercado por onde eu moro. O povo reclama comigo quando digo “vou à feira e chego com as sacolas do mercadinho. Mas pergunto: alguém aqui já construiu um mercado? Construir mesmo, tijolo, argamassa, vergalhão? Porque quando meus amigos falam que vão fazer mercado não vejo ninguém pegando o capacete de pedreiro...


De qualquer forma, foi num domingo, mesmo, o dia da invenção. Acontece que eu acordei com uma fome monstra e não havia ido à feira no dia anterior.

Em casa de solteiro pode faltar tudo, menos imaginação e um espirito aventureiro. Abri a geladeira para iniciar a caça ao tesouro. Na mais absoluta certeza de que, entre um pote vazio ou outro, entre uma cumbuca com vida própriae a caixa de pizza da semana passada, haveria de ter meu combustível matinal. Aqueles poucos nutrientes que me dariam força e bom humor para sair e ir à feira, ou fazer um mercado, tanto faz. Nem precisava de tantos nutrientes assim, bastava sustança. Enchimento gástrico.


Entre caixas vazias e garrafas de água, ali estava minha recompensa. Um belo pedaço de abacaxi brilhava em um canto sombrio da geladeira. Meu corpo iniciou um processo salivar. No teste do cheiro, a relíquia dourada passou. Passou raspando. Passou como quem passa na final depois do choro com o professor já em janeiro do outro ano letivo. Mas passou. Estivesse eu de mau-humor ou sem apetite para riscos, talvez a fruta encararia outro destino. Mas meu desejo gastronômico e minha curiosidade cientifica eram altas. Ousadia tornou-se meu sobrenome. Enfim, estava com fome.


Ao lado, um maço de hortelã. Um tanto murcho, coitado. Mas quem era eu para julgar? Todo mundo tem dias que acorda triste, cabisbaixomacambúzioàs vezes basta um pouco de trabalho para sentir-se útil e esquecer o que causou o esmorecimento. Não, não iria desprezar ahortelã. Tudo para o liquidificador.


Alguns goles da minha recompensa me fez desconfiar de um julgamento apressado e demasiadamente otimista. Porém, a vida, caros e caras, recompensa os ousados. 


Por cinco dias fui coroado rei. O gosto da vitória era de abacaxi passado com pitadas de verde-esperança. Aproveitei bastante meus dias de trono. Ao final, estava 3 kg mais magro.


Hoje dou risada de quem não acredita no poder dos sucos detox. Pelo menos a minha receita eu garanto.



Ainda não dei um nome. Paira uma dúvida entre “a vingança do abacaxi” ou “verde e amarelo, a esperança nunca morre”.