Outro dia desses perguntei aos meus pais qual foi a fase da vida dos filhos que eles mais gostaram. Esta mini-curiosidade foi motivada por um dos famosos momentos abobalhados que passamos ao nos depararmos com um bebê. Mas não um bebê qualquer. Aqueles que estão mais para bolinhas bem arredondas, despertadores crônicos de sorrisos e vozes estranhas nos adultos (gut gut?). Um projeto de gente capaz de semear sorrisos com um leve e desdentado abrir de boca.

Fiz a pergunta, porém já imaginava qual seria a resposta: “a fase de bebezinho, claro”.

Pois bem, fiquei surpreso com o que ouvi: “Todas. Todas as fases foram boas e tiveras suas vantagens, qualidades e alegrias”.

Sabe quando estamos correndo em uma direção e, subitamente, é necessário virar a esquerda (ou direita, realmente tanto faz)? Acho que algo deste tipo aconteceu nos caminhos nervosos em algum lugar na minha caixola. Ousei uma simples réplica “Hum?!”, acompanhada de um leve balançar de cabeça para recompor o raciocínio e redirecionar a atenção.

O que me deixou surpreso foi a boa capacidade de enxergar cada fase, suas alegrias e motivos. Então continuaram falando.

O tempo de bebê era bom por causa da fofura e todas as alegrias de ter, ou melhor, cuidar de algo tão especial quanto um bebê. Indescritível, talvez, para quem é apenas um observador dos outros. Apenas posso rascunhar a emoção sentida, descrever o sorriso dos pais e tentar imaginar o que se passa.

Depois veio a tão famosa e nostálgica infância. Fase de brincadeira, amigos e delineamento dos do comportamento. Ouso dizer que vi uma sorriso cômicos tentando despertar nos meus pais.

Mesmo na insuportável revolta do que nunca aconteceu, a adolescência conquistou seus sorrisos. Principalmente pelos ridículos atos de insurgência contra a moral social ou os desafios à autoridade recheados de argumentos inesperados e, algumas poucas vezes, até coerentes.

Entre o longe de ser e o quase virando adulto, disseram que veio a fase da Faculdade. Um misto de felicidade e dever cumprido. E hoje é o momento do filho-amigo. O filho é uma pessoa independente mas que pode acompanhar em tudo: passeios, jantares, viagens… Escuta e, as vezes, pode até dar conselhos ou opiniões (nem sempre ouvidas?!?).

E foi por isso que eles responderam “Todas” à pergunta inicial. Porque souberam ver as vantagens de cada fase, aproveitá-las e, principalmente, não se lamentar pelas que já passaram.

Sabe? Gostei da resposta.

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