Separei as camisas. Uma, duas, três. Hum… melhor pôr mais duas extras só por desencargo de consciência, vai que preciso sair e todas estão sujas?

Quem já arrumou a mala para viajar e nunca pensou assim? Arrumar a mala pode ser um desafio de planejamento. Esqueçam aquelas malas gigantescas que os desengonçados turistas de plantão levam para viagens mundo a fora. Não, não… vamos focar em curtas jornadas. Ainda mais, que tal se restringir ao fim-de-semana estendido que tantos costumam passar em sua cidade-natal? Você já mora lá? Tente imaginar, ora bolas. Eu não moro.

Arrumar a mala costuma ser uma peleja na tentativa de esboçar todas as situações possíveis de ocorrer.  É necessário levar tudo que possa vir a ser necessário. Coitado destes que moram em suas cidades-natal, nunca foram desafiados pelo presente a antever o futuro. Porque passar o fim de semana ali na praia é fácil, você sabe que vai para a praia. Visitar a terra das lembranças envolve uma ansiedade de fazer tudo, de viver tudo em poucos dias. E aquela mala, aquela malinha, se torna uma caixa de primeiros-socorros: nada pode faltar.

É ridículo autorizar-se, permitir-se usar uma mala grande. Já fiz isso uma vez. “Nossa, veio passar o fim-de-semana ou está de mudança?”. Ignorei a piada, mas juro que fiquei receoso de responder “ de mudança mesmo” e visualizar uma cara feia além de não encontrar uma cama disponível. Sempre tento levar pouca coisa mesmo em uma bagagem pequena. Arrumar a mala pode ser um exercício de desapego.

Planificar esta pouca coisa é um duelo com a emoção. Levante a mão quem já levou roupa de praia e nunca usou. Continuem de mão levantada, por favor, para evitar movimentos repetitivos. E quem já levou o tênis de correr e ele voltou bem descansado? Agora é a vez dos ousados, aqueles viajantes imaginativos acompanhados de seus inseparáveis computadores. Ficam desligados até a segunda-feira. Dois livros. Conheci uma pessoa que já levou dois livros pois tinha medo de terminar um e ficar sem companhia no percurso da volta. Continuam de mão levantada?

Cinto, calça, bermuda, sandália. Roupa para festa, sapato de formatura, vidros de perfume e protetor solar. Para as meninas, imagino que quatro saias, cinco vestidos e três dias apenas. A lista é interminável, a capacidade de fechar a mala também.

Pode chover? Por que não um guarda-chuva? Uma amiga minha levou a bota. Eu? Nunca tive essa ideia, mas bem que já precisei de um guarda-chuva.

Sabe? Tem algo que nunca falta: é vontade de chegar. Na volta, por mais estourada que a mala tenha ido, sempre arrumo um espaço a mais nela. Não, não… não é que roupa suje ocupe o lugar extra. Ela vem abarrotada é de lembranças mesmo.

 


mala cheia