“Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.”

 

 

Descobri no Google que está frase não tem uma autoria confiavelmente conhecida. No imã da minha geladeira diz que é de Cora Coralina.

Decidir.

O que há de tão importante nesta palavra? Imagine a situação: uma agonia no peito. Quase que uma dor latejante infiltrando em cada poro da sua pele. Parece que vai escorrer um rio de suor. Gelado, um rio gelado de suor.

Você não sabe o que fazer.

Coração palpitando. Não, não… coração retumbando loucamente. Você não acredita nisso. Estas na segurança do seu quarto, mas parece que vai cuspir a bomba sanguínea pela boca.

O ar está denso. Seus braços estão pesados. Uma irritação sem justificativa. Sem mira. Sem alvos. Uma irritação onde, na verdade, todos são alvos.

Você precisa decidir algo. Algo importante.

De verdade. Importante de verdade. Esqueçam dúvidas de estilo, de trabalho corriqueiro, de horas de crises comuns. Estou falando de uma decisão de verdade.

Nesses momentos, é bem comum não entender nem sobre o quê precisa decidir. Desconhecer a razão da dúvida. Porém você precisa decidir algo. Chame isso de sexto sentido, intuição ou até de orelha coçando. Chame do que quiser, pense o que desejar, até duvide se achar interessante. Mas, nestes momentos, você sabe que precisa decidir algo.

Tem horas que o melhor é recorrer ao lugar comum: latim.

DECIDERE

 

Para ser latim, tem que estar em itálico. Melhor: Decidire. Acho muito legal como esse pessoal de antigamente escrevia assim, inclinado.

A palavra pode ser fracionada:

DE – “fora”

CAEDERE – “cortar”.

Como “caedere” virou “cidire”, só deus sabe. Mas gostei do resultado

Nossa! Pensei na primeira vez que vi isso. “Cortar fora”. Sem duplos sentidos, por favor, este é um texto sério.

Decidir é aparar nossas dúvidas? Lapidar o mundo de opções em um único caminho (aquele caminho?!)? Desconheço resposta para isto.

A bem da verdade, escrevo na tentativa de entender mais um pouquinho. Leio também. Reflito também.

Porém escrever se mostra, cada vez mais, um ótimo caminho para decidir.

Uma ótima maneira de por as oportunidades na mesa, ou no papel, ou na tela e olhar.

Olhar, pensar, pensar e olhar. Ler. Tirar da cabeça e ver por outro ponto de vista. Aliás, ver as coisas por outro ponto de vista ajuda bastante. Uma parcela importante da minha criação na infância/aborrecência veio na forma de poesia. De onde eu venho, educar é muito pouco, somos criados.

Todo ponto de vista é a vista de um ponto. – Leonardo Boff

Escrever e depois ler, é olhar por outro ponto de vista. Outro ponto de vista para decidir o que cortar fora. Qual caminho seguir, pelo o quê optar.

De saber que, de tudo que ficar, mesmo que  permaneça igual, pelo menos tentou-se. Com certeza será diferente.

Nem sempre está claro sobre o que decidir, porém é sempre bom ter uma maneira de escolher que se molde a sua própria vida. Meu irmão usa tabelas, eu uso textos e você, que ainda está lendo, usa o quê?

Seja lá a receita que use, sabe qual a sensação que dá quando finalmente tomamos um rumo? Bom, do latim:

Relevium*

*alívio

Escolha