Expectativas.

O que seria isto? Hum… talvez: EXPECTATIVA = EX + PERSPECTIVA.

EX de EXterna? Ou será de antiga? Vou ficar com a externa mesmo.

É uma perspectiva, uma percepção externa. Engraçado pensar em “externa” pois a expectativa é nossa, ela é de quem cria a percepção. Mas é externa ao alvo. Bem externa na verdade. Muitas vezes é um julgamento baseado em um conjunto limitado de informações.

Vamos ser sinceros, o conjunto de informações sempre é limitado. A grande questão é o que fazemos  com este conjunto. Julgar? Sempre, todos. Mas… e qual é a nossa ação a partir do julgamento? Em que momento e com que quantidade de informações cada um externa esta percepção? Com que intensidade e frequência divulga-se suas perspectivas limitadas? Como isto norteia nossas ações?

Já pensou que transformamos pessoas boas em más, simplesmente por conta de nossas expectativas? Nada haver com o cidadão em questão (ou cidadã!), apenas com nosso próprio mundo egocêntrico, “eu-centrado”. Um mundo preguiçoso: muitas vezes nem esperamos esse alguém externo se manisfestar ou falar. De que a opinião de uma pessoa importaria em nossa percepção desta pessoa, afinal?

Aliás, quem quer saber da opinião ou motivos deste ente externo ao nosso mundo particular? Sejam quais forem, estes motivos devem ficar no passado de outro universo, sem interferência direta, indireta, abstrata ou concreta sobre nossas ideias.

E você? Você ai mesmo, que está lendo. Não pense que irá fugir das minhas expectativas. Assim como eu não consigo fugir das suas. Achava que o texto seria cômico e se decepcionou? Queria algo sério e encontrou? Nenhuma das opções mas está pensado em parar de ler? Curtiu e resolveu continuar?

Pense, você estava com alguma expectativa quando começou a ler? Tenha certeza que eu estava quando comecei a escrever. Ainda não decidi bem se essa expectativa foi satisfeita. Mas ela existe. Criamos expectativas com as coisas mais bobas. E, eventualmente, elas viram frustrações.

Opa! Esperem um pouco…

FRUSTRAÇÃO = FRUTO + AÇÃO?

Seria este sentimento, que nos arrasta para baixo, fruto de uma ação contrária às nossas expectativas?

Está fazendo muito sentido para mim: criamos uma opinião (perspectiva) externa a algo ou alguém e, então, como resultado de uma ação inesperada, temos uma frustração.

Frustração essa, por sinal, totalmente evitável ou mesmo injusta.

Sabe, caros leitores (admitindo que existe mais de um!), estou até me afeiçoando a vocês, apesar dessas suas expectativas todas. Admitir isto me alivia… faz com que eu pare de criar expectativas sobre este assunto. Pelo menos é um passo

Nem toda frustração é injusta. Mas esta que vem de uma vã perspectiva é.

Há uma frase que fala bem assim: “É horrível não poder culpar os outros por nossa própria miséria” (vi isso na peça “A outra cidade”).

Não poder culpar ninguém por nossas efêmeras expectativas é frustrante também. Uma segunda frustração: a primeira veio do nosso julgamento, a segunda vem na nossa incapacidade de admitir este julgamento louco.

Depois de um tempo, até pode fazer sentido assumir sua parcela de culpa, uma vez que as expectativas são assim, só nossas e de mais ninguém.

A frustração é só algo que vem de brinde destas expectativas loucas.

Desculpem, de brinde não…

Vem de consequência.

Escher Relativity

Escher Relativity