Quantos quilômetros?

Quanto custa? É por unidade ou por peso?

Quantos amigos?

Daqui para ali, demora muito? Ora, depende do seu carro!

Tantas formas de mensurar algo. Dizem que estamos sempre fazendo isto. Acha que não? Pense um pouco.
Quando acorda, será que está frio o suficiente para tomar um banho quente? Acordei cedo e posso dormir mais 5 minutinhos (claro, sempre)? Esta roupa é adequada?

A pizza de ontem já estragou ou posso comer?

Preciso correr para pegar o ônibus?

Estamos aferindo sim. De forma consciente ou não, estamos aferindo.

Mas e quando tentamos determinar algo que, simplesmente, é incomensurável?

Palavra difícil hein? Incomensurável. Tive que olhar várias vezes no dicionário antes de escrever. Mesmo assim ainda torci para o corretor automático me ajudar.
Vixe, acho que acabei com certa dose de magia. Não uso máquina de escrever como os de antigamente usavam. Favor não me medir por isso.

Bom, voltando ao incomensurável. É um conceito bem difícil de entender. Temos que aceitar nossa limitação.

“Como assim? Existe algo que meus olhos de caçador não enxergam?”.

Sim.

“De jeito nenhum. Há distâncias que trena nenhuma consiga cobrir?”

Afirmativo.

Mas mesmo assim tentamos. Aliás. Tentar não. Quando falo “tentar” pode parecer que é algo relacionado à esperança de ser bem sucedido.

Para descrever este ato prefiro usar “arrogantemente insistimos”.

Arrogantemente insistimos em medir coisas i-n-c-o-m-e-n-s-u-r-á-v-e-i-s.

“Tipo o quê?”

Tipo amizade. Ou mesmo quantidade de amigos. Tipo paixão. Ou mesmo intensidade da paixão.

Tipo felicidade, tipo sucesso, tipo essas coisas. Estas coisas incomensuráveis.

Medir, de certa forma, é comparar. Comparar com um padrão.
Pronto. Está ai a fonte do problema. Comparação.

Comparar demais.
E te digo, de comparação um gêmeo entende.

Mas calma, há esperança. E, por mais incrível que pareça, ela se encontra na própria palavra: com-parar.

Aos poucos tento com-parar de comparar, talvez um dia possa falar: “com-parei e não comparo mais”.

São tantas medidas e jeitos de medir diferente. Penso que não estamos aqui para discutir nada (seja até felicidade) de seu ninguém.

Podem me chamar de brega, mas para terminar este texto na medida (como dizia o moço do sanduíche lá em Recife), só consigo pensar em uma frase:

“A medida de amar é amar sem medida”

 Engenheiros do Hawaii.

(você consegue ler sem cantar?)

pafferreira.com.brwordpress p 768   medir