Espírito de Equipe?


Senso de grupo? Ou Bando?


Bando é muito feio? 


Seja qual for o substantivo coletivo (essa foi do fundo do baú!), a melhor matilha nem sempre precisar ter o maior lobo.


Não entendeu?


Bom, uma vez fiz uma aula de cama elástica (sim, é possível e até divertido) e, segundo a professora lá, quando se pula em dupla, a altura que você chega depende muito pouco do seu impulso individual. Depende muito pouco de uma habilidade egocêntrica.

A altura final está muito mais ligada ao sincronismo, ao quão forte é a ligação da dupla. Juntos vão mais alto.



Mas só se souberem ir juntos.




Aprendi a respeitar uma equipe bem formada.


Vejam que não falei: equipe grande ou equipe forte ou mesmo equipe de gênios.


Ela não precisa que seus elementos individuais, suas células, SUA GENTE, sejam super. A equipe precisa ser, basicamente, bem formada.


Aprendi isso com 16 anos. Foi jogando basquete. Alguns anos mais tarde acabei relembrando disto, em situações bem diferentes.


Mas vamos voltar lá para os 16 anos.


Uma bela idade. Idade cheia de espinhas, disposição e a típica revolta vazia que só a adolescência te proporciona. 


Além de tudo isso, gostava de jogar basquete. Nunca fui um dos melhores. Sabia jogar bem. Possuía minhas técnicas. Mas a verdade é que nunca fui um dos melhores no basquete. 


Seja como for, sempre me divertia.


Em um destes belos dias, falta-me a recordação plena da data, me senti desafiado.


Creio que este sentimento de provocação tenha vindo após uma discussão causada pelo excesso hormonal típico da idade ou, sempre existe esta possibilidade, não houvesse uma razão real para o sentimento. Mas me senti desafiado. 


Desafiado por um trio de amigos que estavam ganhando todas as partidas. Amigos-astros.


Enfezado, como sempre fui, formei meu próprio time. Desafiador, sedento por vitória e, principalmente, ousado. Praticamente um dia de delírio esportivo.


Convoquei a seleção. O intento era claro.


A primeira coisa que fiz foi dar um nome para nosso grupo: “The Dream Team”. Notem que não era simplesmente “Dream Team”. Bravejar seu título requeria todas as três palavras: “THE DREAM TEAM”. O “The” não podia, e nunca pôde, ser esquecido.

Por ser um trio, convoquei dois amigos que guardo com carinho até hoje, 14 anos depois. Com meus 1,69m, eu era considerado o mais alto do time. Dois (dos três) usavam óculos (retirados durante o combate, claro!). Nossas habilidade motoras, digamos assim, sempre foram subutilizadas perante as habilidades mentais.


Mas tínhamos uma arma secreta: vontade de ganhar, espírito de equipe e extrema cooperação interna ( tudo bem, tecnicamente, eram três armas secretas…).


Individualmente, seja qual for a combinação, não eramos páreos para os adversários fanfarrões.


Decidimos ignorar isso. Destemidos, decidimos desafiar o time da casa.


Sem dar uma palavra, o The Dream Team entrou na quadra. 


Meia quadra, regras de basquete de rua, cesta feita de corrente, tabela de madeira, sol de rachar.  Proibido marcar falta. 12 pontos.


O The Dream Team entrou em ação.


Não é necessário descrever a partida.



Este texto não foi escrito por Mickey Mouse ou qualquer outro personagem da Disney. Portanto, o placar do adversário foi exatamente como esperado para uma partida de 12 pontos. Não dá para mudar o passado.


Me lembro até hoje do placar.



Fanfarrões 12










The Dream Team 10


Eles continuaram na quadra. Mas nós ganhamos. Ganhamos o nosso próprio respeito como time, pelo menos.


Ninguém esperava isto. Era para ser uma partida rápida. Fácil. 


Não foi.


Foi disputada ponto a ponto. Rebote a rebote (pasmem), passe a passe.


Cada jogada nossa envolvia todo o time. O erro não era repreendido. Nossa tática era simples porém eficaz: tentar, insistir, confiar, tentar de novo.


Como escrevi antes, entramos em quadra com algumas características. Porém, a principal, pelo que penso hoje foi: uma equipe bem formado. Só havia cooperação. Não havia vitória individual.


Não havia possibilidade de vitória individual. Não havia vontade em ser um campeão solitário.
Eram todos ou nenhum.


Talvez os demais integrantes deste pequeno batalhão não lembrem do “The Dream Team”. Talvez… talvez isso não tenha afetado o jeito deles verem o mundo.


Mas para mim mudou tudo.


Foi com 16 anos que aprendi a diferenciar uma equipe de um saco de batatas.




Espero nunca esquecer.