Sabe?


Sempre quis saber desenhar.



Outro dia desses, vi uma tirinha onde a expressão do personagem passava uma melancolia incrível no sabadoqualquer.com.br:

http://cdn.umsabadoqualquer.com/umsabadoqualquer.com/wp-content/uploads/2011/07/746.jpg





Mas tudo que sei desenhar é isto:




 



E talvez alguns outros traços semelhantes.




Sempre quis saber expressar algo desenhando: seja uma história engraçada, triste, política, moral.


Só queria saber desenhar. Fiz até um curso. 


Durou 1 dia.



Desenhar o sentimento nos olhos e gestos de um personagem. Por mais que tentasse, nunca sai disso:


                                                         



Depois de alguns anos praticando incansavelmente, aprendi algo tridimensional:



                                                 


Porém, meu maior orgulho mesmo foi quando apliquei as técnicas de perspectivas no desenho:


                                                 


E, depois de alguns meses de treino, cheguei na minha capela sistina:


Mas, a estrada do desenhar parou por ai mesmo.







O computador até me ajudou a ir um pouco além, porém nada de desenhos manuais, somente composições de formas. Ficam até bonitinhas.



Nunca entendi como algumas pessoas parecem que nascem com a habilidade extraterrestre de desenhar (ok, discordo. Elas aprenderam em algum ponto). Parece milagre.



Até a letra dessas pessoas é bonita (por sinal, outra coisa que o computador tem me ajudado bastante!)


De qualquer forma, eu,

                                 eu não sei desenhar.



Com alguns traços, não consigo traduzir expressões e sentimentos…








Estava pensando assim quando comecei a escrever o texto.

Ai, percebi algo. Percebi que sabia sim.


Sabia traçar curvar.


Não rostos ou prédio,

                 mas curvas:



Letras e palavras.



Comecei a ver que tinha um tesouro: eu sabia escrever.



Por que se preocupar tanto com o que não tenho? Ao invés disto, poderia dar mais valor aos tesouros que possuo.


Poderia dar mais valor mesmo. 


Aliás, me desculpem a intromissão, mas todos nós poderíamos. 


Desde de criança minha mãe recita um poema (creio que em torno de 10.000 vezes) para seus filhos (eu e meus irmãos!) que cai muito bem aqui. 


Recita um trecho de um poema de Vicente de Carvalho (não a estação de metrô, o escritor mesmo):



[…] A felicidade
         existe sim, mas nós não a alcançamos 
       Por que está sempre onde a pomos
       E nunca a pomos onde nós estamos