Oi. 


Sabe? Por vezes tentei descobrir qual a fonte da minha inspiração. Ou fontes.


Há dias que escrevo e, sem modéstia a parte, o texto fica bonitinho. Outros dias, tenho vergonha de ler. Fica ruinzinho mesmo.


E por isso me pergunto: de onde vem a inspiração?


Outro dia desses, a inspiração veio de uma pessoa (provavelmente você esteja lendo agora!) que elogiou um outro texto que fiz. Falou “Simples e Confuso”.


Pronto, bastou, parti dessas palavras e, em um furacão de ideias, rapidamente escrevi algo que gosto muito de ler até hoje.


Então seria isso? As pessoas, os “vocês” mesmos que estão lendo estas palavras agora. Você(s) me inspiram?
Talvez.


Mas as vezes fico sentando por muito tempo (gostaria de dizer “horas” , mas não são “horas”) e escrevo coisas sem sentido, ou escrevo sobre o dia, ou simplesmente vou digitando as palavras (já que “escrever” é no sentido figurado da coisa mesmo) apenas para manter o hábito.


Parecido como alguém que treina corrida todo dia, mas só vai precisar mesmo no dia que estiver fugindo de um leão, ou de um ladrão.


Vou escrevendo, escrevendo e escrevendo coisas que não gosto de ler, coisas que leio depois e, eventualmente, coisas que adoro reler. 


Mas ai minha inspiração seria o hábito.


Você, que lê este texto, estaria prejudicado, depreciado: não seria a fonte da inspiração. A única exceção: eu. 


Vamos ter muita hora nesta calma.


Não é só hábito.


Tem tanta coisa ai envolvida. E as experiências?


Outro dia desses, eu estava pensando nisso também. O que sei fazer? Considerando que existe alguém lendo estas palavras, você já se perguntou isso também? O que você sabe fazer? Vale tudo (opa…): escrever, fazer uma planilha, bolo, cuscuz, empadinha, dirigir, tudo. O que você sabe fazer?


E, sabe-se lá o porquê, acabei tentando correlacionar o que sabia fazer com o que me inspirava para escrever.


E nessa vai-e-vém de pensamentos me lembrei de uma entrevista muito legal que vi da Marina Campos (digita lá: http://www.youtube.com/watch?v=LLRptR3R1-Q). Lá na entrevista ela acaba falando sobre nossa mala.


Quando falo “nossa mala”, não é bem nossa, é de cada um, ela é individual. Mas dá para falar com carinho de qualquer jeito.


Tudo bem, a “mala” é simbólica ok? Porém é daqueles simbolismos que fazem muito sentido. Porque carregamos muitas coisas na mala. 


Coisas boas e coisas ruins.


Mas no momento que pensei nisso, eu estava pensando nas habilidades, no que sei fazer.  E no que não sei fazer também (eu não sei cozinhar um cuscuz gostoso). Tudo está lá na minha mala.


Quando eu preciso de algo, recorro a ela. Quando não acho… invento e improviso algo de qualquer jeito.


E ai, pensando na inspiração, vi que também guardo muita inspiração nessa mala.


Uma experiência importante, uma palavra que me marcou, o hábito de observar e escutar. São, talvez, fontes de inspiração.


E eles estão ali, na mala. O interessante é que sempre preciso estar por ai, conversando, ouvindo, vendo… para manter a mala recheada.
 


E, por alguma razão, esta história da mala me deixou mais tranquilo. 



 
Por alguma razão, me deixo bem mais tranquilo.
 


Fico feliz em pensar que minha inspiração está ali, na mala, para quando eu precisar. Às vezes debaixo da calça, outros dias escondida na sacola de cuecas sujas. Mas está ali.


E sempre tem espaço para mais inspiração. 





Tipo aquelas malas com um zíper para expandir…
        …  bom, a minha tem um monte!
E você? O que tem na sua mala?