Certa vez, presenciei uma pessoa tentar ensinar assuntos genéticos administrativos quaisquer. Por diversas razões, fiquei muito irritado com algo que o “professor” falou.
   O estimado colega relinchou  diversos conceitos canastrões, incluindo batidas referências à coca-cola, google e diversas multinacionais que, muitas vezes tentamos importar seus conceitos de produtividade para nosso dia-a-dia com culturalmente diferente.
   Fico imaginando se descobrissem que o sucesso da China deve-se a incorporação de escorpiões na dieta, se o primo cocho de um equino iria sugerir a degustação destes invertebrados artrópodes sem, ao menos, examinar com mais detalhes a informação…
   Mas enfim, fiquei muito incomodado com um tópico especial: uma referência errônea aos gêmeos.
      Me remexi na cadeira…
  Segundo o quadrúpede letrado, um experimento feito pela universidade de Harvard (provavelmente, com uma citação de Érico Verissimo na contra-capa) testou o poder de falar de si positivamente.
   Cada um dos gêmeos foi entrevistada por diversas pessoas para ingressar em empresas. A única diferença entre eles seria que um falaria de forma positiva e o outro negativa (algo como “lembre-se de comprar pão” e “não se esqueça de comprar pão”). Mas no resto eram idênticos, inclusive na roupa e no jeito. O que falou positivamente foi contratada 70% da vezes.
    Ora, não dei muita bola para o fato dele usar exemplos de internet dignos de um ornitorrinco, todavia, falar que dois gêmeos são idênticos… ofende. E muito.
    Na verdade, ofende mais ele mesmo, mas fiquei, no mínimo incomodado.
   Minha teoria é o extremo oposto. 70% é um número que parece impressionar…
    É tão decisivo assim falar positivamente de si? Vamos por isto a prova!
   E se nada que você fizesse em uma entrevista contasse? Se seu futuro, seu contrato, fosse totalmente decidido na sorte? O entrevistador, depois de 2h de chatas perguntas pede uma moeda. Uma simples moeda de 25 centavos de Real (ou a quarter dolar para parecer mais Harvardiano, como diria Érico Verissímo).
   “Cara” você é contratado.
   “Coroa”, você irá amargar na Rua do Desespero, esquina com a fila do seguro desemprego.
   O que pensam disso? 50% de chance? Cara ou Coroa? Muito pior do que os 70% conjurados pelo fã de Harvard?
   Na hora não tinha muito certeza, mas minha intuição (ou será a imaginação, ou raiva?) apertou o botão vermelho e resolvi pensar um pouco mais.
   Tantas coisas na vida ocorrem e sempre temos a dúvida: foi o destino? Uma vez a cada 10 anos um pombo acerta o alvo, no caso, eu. Por mais irritada que fique, pensando sempre: “justo eu? Logo hoje? “, o fato é que pombos miram e acertam vários indivíduos por dia, por mais gente que exista, eventualmente cada um de nós pode ser o escolhido. E a probabilidade aumenta se andarmos nos centros das cidades.
   Então cheguei em casa pensando: “Harvard né? Gêmeos? Vários entrevistadores?”. Não sei quantos entrevistadores foram, mas nada como um pouco de imaginação para superar este problema.
   Alguns minutos depois, escrevi uma série de linhas de código no computador para simular a moeda (50% de chance).
“Cara”, você está contratado!
“Coroa”, take your ungly ass out off my office.
   10 entrevistas. Comecei simulando 10 simples entrevistas… mas Harvard não iria publicar nada com só 10 entrevistas. Então aumentei para 100.
    Bom… apesar de 100 ser um número bonito, resolvi melhorar um pouco e ir para 170. Harvard deveria ter feito pelo menos este número de entrevistas.
   Mas nenhum atleta bate recordes simplesmente igualando resultados. Temos que superar. Então fiz 10200 entrevistas. Quero ver este gêmeo pessimista ser contratado.
     Não sei se conseguirei transcrever de forma simples o resultado.
    Ou, como o gêmeo otimista falaria, irei resumir de forma tão clara e breve quanto possível os resultados.
    Caros (e caras, e coroas e gemeos e etc) leitores, se nossas vidas, pelo menos empresariais, fossem decididas desta forma, sempre que você tentasse mudar de emprego, ou seja, partisse para uma nova rodada de entrevistas, teria 25% de chance de ser contratado em 70% das empresas.
   Muito matematiquês? Resumindo: vá fundo, seja positivo ou negativo, uma hora a moeda estará do seu lado, basta tentar o suficiente.
     Resumo muito simples? Acha que a vida não é assim? Somos dois, ou pelos menos dois. Falar positivo, estar arrumado e todas as outras sugestões devem realmente contar, mas não tão deterministicamente quando o quadrúpede de paletó quis passar. E pior, quis passar com a história de gêmeos.
     Harvard nunca se meteria com gêmeos. Este é principal o exemplo que o instrutor deveria seguir.
   E ficou ainda a pergunta, e o gêmeo pessimista? Será que foi contratado por menos empresas? Ou por mais?